O "simulador de carteiro"
O que mais tem na internet é gente que nunca jogou propagando opinião dos outros, não é mesmo?
Antes de comprar Death Stranding, fui me informar e ver o que a comunidade falava sobre o jogo. Logo percebi que era um título extremamente divisivo: ou você ama, ou ele simplesmente não é pra você (e confesso: eu mesmo cheguei a pensar que não seria pra mim!).
Entretanto, mesmo antes de encostar no controle, é nítido como Hideo Kojima merece o reconhecimento que tem hoje. O primeiro game é um absurdo de lindo até os dias atuais — e vale destacar que joguei no guerreiro PS4 Fat! Fazendo um paralelo rápido: embora sejam propostas distintas, aquela mesma imersão que senti no "mundo vazio" de Shadow of the Colossus (do Fumito Ueda) aconteceu comigo aqui em Death Stranding.
A interface do Kojima pode parecer confusa à primeira vista, mas não senti que foi um problema. Com poucas horas de gameplay, eu já estava totalmente familiarizado com o ritmo das entregas, a leitura dos e-mails e até mesmo com o combate. Aliás, tem gente que joga dizendo que o combate não existe, mas olha só... Existe sim, cara! Embora não seja o foco principal da obra, achei a mecânica extremamente satisfatória.
Acho engraçado os memes na internet sobre o "simulador de carteiro", mas resumir a obra do Kojima a apenas isso não faz o menor sentido. A progressão do jogo é, sim, focada em andar e fazer entregas do começo ao fim, mas a história é tão intrigante (e por vezes complexa) que você quer avançar a todo custo para compreender o que aquele mundo está passando.
Como estamos falando do verdadeiro cineasta do universo dos games, o tom cinematográfico tá no DNA do jogo. Death Stranding é um filme — e não digo isso de forma ruim! É poético ao ponto de você aproveitar trajetórias longas apenas apreciando cada cenário.
E, meus bons... precisamos falar da trilha sonora! É bom demais estar caminhando, fazendo sua entreguinha, quando de repente o Kojimão saca uma música que... É ABSOLUTE CINEMA! Dito isso, destaco aqui a banda Low Roar: vale o play mesmo se você não quiser jogar o game!