A Poesia do Silêncio e a busca pela Platina em Shadow of the Colossus
"Uma imersão pela Terra Proibida de Fumito Ueda, explorando o peso moral de cada gigante derrotado e a maestria de dominar um mundo desolado no PS4."
"Uma imersão pela Terra Proibida de Fumito Ueda, explorando o peso moral de cada gigante derrotado e a maestria de dominar um mundo desolado no PS4."
Shadow of the Colossus (PS4): A Poesia do Silêncio e a Obsessão pela Platina
Existe uma sensação estranha em ligar um jogo e perceber que o mundo ao seu redor não faz questão nenhuma da sua presença.
Minha primeira experiência real com Shadow of the Colossus não aconteceu na época áurea do PlayStation 2, mas sim através do impecável Remake desenvolvido para o PS4. Sem o filtro da nostalgia para mascarar falhas ou criar expectativas falsas, o que encontrei foi uma obra que parece desafiar a própria lógica dos videogames tradicionais: um jogo que não te preenche com diálogos incessantes, missões secundárias repetitivas ou mapas poluídos de ícones.
A Filosofia do Silêncio e a Trilogia de Fumito Ueda
Para compreender a atmosfera da Terra Proibida, é preciso entender a mente do seu criador, Fumito Ueda. Conhecido pelo conceito de "design por subtração", Ueda constrói suas obras removendo tudo o que é desnecessário para deixar apenas a essência emocional na tela.
Essa mesma espinha dorsal conecta Shadow of the Colossus a títulos como Ico e The Last Guardian. A equipe por trás dessas obras sempre se recusou a entregar respostas fáceis. Não há vilas para visitar ou NPCs para pedir ajuda. A viagem entre o templo central e a localização de cada gigante não conta com distrações pelo caminho; ela serve quase como um ritual, um tempo necessário para o jogador processar o peso do que está prestes a fazer.
A Arena Viva e a Tristeza da Vitória
A estrutura de combate em Shadow of the Colossus é única: a arena não é o cenário, mas sim o próprio corpo da criatura. Você precisa ler a anatomia do monstro, entender como o movimento dele afeta o seu equilíbrio e encontrar o ponto cego. No fim das contas, você percebe que não está apenas enfrentando um inimigo, mas invadindo o corpo de um ser que só queria continuar imóvel.
É no momento da vitória, contudo, que o jogo revela sua verdadeira natureza moral. Em qualquer outro jogo, derrubar um chefe traria uma música triunfante de celebração. Aqui, quando a espada crava o último ponto fraco, entra em cena o lamento lúgubre composto por Kow Otani.
O gigante desmorona em câmera lenta, soltando um último suspiro que soa mais como a destruição de um monumento natural do que a morte de uma ameaça. Aqueles seres não estavam atacando ninguém; eles apenas existiam. Conforme avançamos para tentar ressuscitar Mono, o próprio Wander vai se deteriorando fisicamente: sua pele empalidece e a escuridão o consome, apagando a linha que separa o herói do vilão.
A Maratona da Platina: Da Descoberta ao Domínio
Conquistar o troféu de Platina no PlayStation 4 trouxe uma camada completamente nova para essa experiência. Encarar os desafios de Time Attack e repeti-los até alcançar uma maestria cirúrgica muda sua relação com o jogo: a dúvida e o espanto da primeira jogativa dão lugar ao conhecimento exato de onde pisar, como pular e onde agarrar.
Porém, o mais curioso ao ver a notificação da platina pipocar na tela após dezenas de horas, é perceber que a sensação de desolação nunca vai embora. Dominar aquele mapa não te faz sentir superior ou vitorioso; apenas reforça a consciência de ter decorado uma ruína sagrada que nunca mais será habitada.
Veredito: Um Clássico Atemporal
Shadow of the Colossus no PS4 prova que grandes obras não envelhecem — elas simplesmente esperam o momento certo para nos encontrar. Trata-se de um jogo que confia na inteligência e na sensibilidade do espectador, provando que, no mundo dos games, as histórias mais profundas são frequentemente contadas em silêncio.
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"Como eu passei 300 horas no 'joguinho de caminhada' do Kojima? Nem eu acredito! Mas no momento certo, Death Stranding me fez descobrir o verdadeiro significado de imersão nos games."
Escrito por
FRAY
Fã de terror, sobrevivência e grandes histórias nos games, com uma pitada de cinema e reações sinceras.
Jogando agora: Tomb Raider (2013)
"Como as limitações intencionais do controle tanque e a atmosfera escancarada do clássico de 2005 entregam uma aula atemporal de tensão e game design."